Camamu

Após Ilhéus, nossa próxima parada foi Camamu.
A baía de Camamu é muito grande e abarca diversas cidades e vilarejos, todos muito simpáticos e bonitos como Barra Grande, Maraú, Tremembé, Cajaíba do Sul, Taipus de dentro e Taipus de fora, ou ainda a ilha do Campinho… só pra citar as que visitamos…

Cada uma delas tem sua atração. Ficamos no Campinho, próximo à localidade do Sapinho com alguns restaurantes onde comemos por algumas vezes, deliciosas lagostas. Lá também há um pescador que monta armadilhas para peixes, chamadas munzuás. Claro, comprei duas que estão no Tangata à espera de uma oportunidade…

Ancoramos no Campinho e fizemos os passeios de escuna, pois as localidades são distantes e o tempo estava com ventos fortes de sul (25 a 30 nós). Nessas condições a ancoragem é complicada por causa do vento e da corrente causada pela maré. Pra se ter uma idéia, mesmo com 25 nós os veleiros não afilam ao vento. Ficam de lado para ele, recebendo vento e marolas no costado, equilibrado com a correnteza de 2,5 a 3 nós… uma experiência incrível.

Em Cajaíba do Sul concentram-se atualmente os estaleiros que fazem e reformam escunas, pequenas e grandes, e que visitamos, conversando com os artesãos. Peças delicadas a partir de toras brutas utilizando motoserras… só vendo pra acreditar.

Em Maraú, uma cidade baía adentro, conheci uma moradora local, a Senhora Bárbara Lemos Freire, autora de um livro sobre a cidade que comprei e li praticamente no mesmo dia, à bordo.

Ela me fez entrar, sentar, ver o álbum de fotos… Despedi-me com a promessa de mandar pelo correio o meu livro…

A cidade de Camamu, bem no fundo da baía, é pequena, mas simpática. Visitamos o mercado local onde compramos azeite de dendê. A flor, como dizem, é o azeite coado, puro óleo. Você também pode comprar com um pouco de polpa no fundo, mais barato, mais fraco e que dura um pouco menos… Também almoçamos por lá antes de ir embora.

A saída de Camamu foi complicada. A barra que normalmente é agitada (como qualquer barra), estava pior e o mar lá fora muito alto, por isso adiamos em um dia a saída. Consegui acessar a web e verificar a meteorologia. Outros veleiros teimaram em saíram e seguiram para Salvador… resultado: velas rasgadas, histórias de pânico, pilotos queimados… Nossa turma ficou comendo lagosta e tomando cachaça. Nada mal… Dia seguinte partimos com o mar ainda um pouco grande mas era a única janela na próxima semana. Pegar ou largar. Pegamos. Até porque a coisa iria melhorando à medida que chegássemos em Salvador. Dito e feito. Saímos com ondas desencontradas de 3,5 metros, que jogavam o Tangata pralá e pra cá. Muitas atravessadas… Mas à medida que prosseguíamos a coisa ia melhorando. Ao pôr-do-sol, com um mar liso, entrávamos na Baía de Todos os Santos, com as bênçãos dos orixás e São Salvador para nossa derradeira parada: Aratú Iate Clube.

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.