Na ilha das Fontes

Saímos de Itaparica em direção ao norte, com destino a Ilha Maria Guarda e Ilha Bimbarra. A primeira, diz a lenda, tem o nome originário de um pescador que teria saído para pescar e esqueci o cachimbo. Quando a mulher se deu conta correu para o pontão e o chamou mostrando, mas como ele estava já a certa distância teria gritado “Maria, guarda…”. O certo é que a ilha é um lugar tranqüilo com várias casas. Nem tão selvagem, nem tão civilizada.

A ilha Bimbarra é uma reserva particular, com mata preservada. Ancoramos no canal entre as duas e descemos em Maria. Demos um passeio pela orla e no caminho achamos um “depósito” de conchas bonitas. Claro, pegamos várias para levar para casa e colocar em nossa coleção de conchas dentro de vidros. É uma maneira de nos lembrarmos das viagens e matar as saudades do mar quando estamos em casa.

No caminho de volta entramos num supermercadinho para ver se havia pão, mas a mulher de lá disse que o vendedor passava um pouco mais tarde de bicicleta. E de fato, enquanto lavávamos as conchas coletadas o vendedor passou. Abastecemo-nos de pão para mais uns três dias e voltamos para seguir para a Ilha das Fontes.

Essa ilha é conhecida por ter inúmeras fontes – poços artesianos para os mais “civilizados”, só que maiores e mais largos. A água cristalina chega a ser azulada e é puríssima.

Para chegar até a ilha passamos por um baixio sinalizado por bóias. Claro, bastou entrarmos na zona mais perigosa para que o vento que era de cinco nós passasse a 20 ! Como eu já estava “esperto” por causa dos bancos de areia, nem havia levantado a vela e isso ajudou a passarmos pelo local sem maiores problemas.

Ancoramos na barra do rio Paramirim. Não tem muito lugar por aqui. Um canal de 12 a 15 metros de profundidade na maré cheia. Na baixa, uns 2,4m a menos. O problema é que é cheio de bancos e fora do canal, fica raso muito rápido. Quase enfio o Tangata num banco na ancoragem…

Passado o susto, relaxamos. Depois da ancoragem, vimos um grupo que se banhava num remanso.Fomos até lá de bote. Eram algumas garotas e um moleque fazendo uma farra. Conversamos e eles nos indicaram o caminho que tomaríamos no dia seguinte.
Voltamos ao Tangata, jantamos e assistimos um filminho antes de dormir.

Pela manhã, precisamos esperar a maré encher para poder desembarcar, pois o longo trecho de mangue impedia que chegássemos à terra. Hora certa, fomos à procura das tais fontes pelo caminho indicado por eles. E logo descobrimos que a casa onde todos estavam, era no caminho. Elas (o menino não estava nessa casa) se prontificaram a nos guiar pela trilha…

Vinte minutos depois já estávamos nos deliciando com água pura e cristalina de um grande e profundo poço. Como antigas freqüentadoras do local (a avó tem terras por aqui), elas já sabiam o que ignorávamos: é preciso um balde com corda – óbvio – para pegar água da fonte.

Após um refrescante banho, fomos a uma outra, maior e mais distante, mais meia hora de caminhada. E dá-lhe banho. No caminho fomos comendo mangas, cajus, acerolas, tudo fresquinho e direto do pé.

Trouxe também um pouco de caju para as caipirinhas e um côco para o whiskinho nosso de cada dia…

Terminamos a tarde com uma cerveja gelada na praça, único lugar de convívio social por aqui, onde também fica a igreja, a escola e um determinado lugar, perto da terceira árvore a partir do boteco, onde o sinal do celular aparece como por encanto… quem quer celular???

Voltamos ao barco, fizemos uns camarões no dendê com arroz e salada e nos fartamos até a noite cair. Como por aqui não tem internet, essa atualização escrita no Word vai ficar pra quando der.
No sábado dia 8, acordamos com muita chuva e esperamos o horário da saída para nossa próxima parada que seria São Francisco do Conde. No horário do estofo da maré baixa, saímos com muito cuidado porque os baixios são muitos. A profundidade média é de 3 a 4 metros e os bancos de lama estavam por todos os lados. Quando saímos, o tempo fechou e mal enxergávamos o próximo canal que ficava há umas 5 milhas. O tempo ficou feio e o vento apertou. A entrada de São Francisco do Conde é mais baixa e mais estreita que a da Ilha das Fontes, com uma profundidade média de apenas 2 metros, por isso não arriscamos ser empurrados fora do estreito canal e voltamos para um abrigo mais próximo, entre a ilha do Bom Jesus e o Loreto. Vamos ficar por aqui até que o tempo melhore e permita nossa ida. Pra terminar, uma foto do nosso quintal…

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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2 respostas a Na ilha das Fontes

  1. miriam diz:

    oi gentem, que viajem linda a de vcs. Muito legal mesmo. Alguns lugares eu tb fui e até deu saudade. Qdo vcs começam a voltar? bjs pros três.

  2. Oi Miroca,

    Estsamos curtindo bastante. Saudades de Angra, por incrível que pareça. Amigos são amigos…
    Voltamos pro carnaval… acho…

    :-)))

    Bj’s Ric,Di e Heleninha

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