Planejamento estratégico de um Cruzeiro

Numa viagem mais longa, ou mesmo num fim de semana ou feriado, sempre nos preparamos para não ficar na mão ou passar por perrengues. Claro, sempre há um imprevisto aqui, outro ali, como quando estávamos indo para Abrolhos e a vela rasgou e o motor parou…
Mas como o desespero é a mãe de todos os mecânicos iniciantes, demos um jeito…
Mas a linha de raciocínio é sempre “prever tudo o que pode dar de errado e o que vem pela frente”. Se nada acontecer, ótimo. Mas se o que puder dar errado, der, tipo Murphy, pelo menos já sabemos o que fazer…

É assim com a meteorologia, com pontos extras de possíveis arribadas (paradas) em caso de necessidade, com carta e rotas alternativas desses locais onde se pode achar auxílio.


Na foto o veleiro “Kassianna”, um Paturi, em Cananéia

E com o combustível também. Em tempos de aquecimento global, a velha e boa pilot chart já não merece tanto respeito e é mais comum do que gostaríamos os ventos contra e os ventos kinder-ovo – com supresinhas em forma de frentes frias inusitadas para a região e época…

Em termos de compras e combustíveis, fazemos cálculos e pesquisas para saber onde achamos combustível, comida e água, e sob quais circunstâncias. Fica aqui um exemplo que pode ajudá-lo a planejar seu próximo cruzeiro, mesmo que seja “até alí” pra fazer um churrasquinho…

E se o vento acabar ou as velas rasgarem? Saiba qual a autonomia de seu motor. Para isso simplesmente calcule o consumo versus a capacidade do tanque, e a velocidade (nós = milhas por hora) que seu veleiro faz em velocidade de cruzeiro. No nosso caso:

Consumo do motor = 2,5 litros por hora
Capacidade do tanque = 80 litros
80/2,5 = 32 horas
Velocidade de cruzeiro = 5 milhas por hora
5 X 32 = 160 milhas

Autonomia do Tangata = mínimo de 150 milhas (deixando uma reserva para ventos e mar contra que aumentam o consumo e diminuem a velocidade)
Como tenho alguns galões de 20 litros, isso pode ser ou não levado em conta, conforme a necessidade. Na verdade nossa autonomia passa das 320 milhas com todos os tambores cheios…

Isso feito, basta informar-se onde e como há combustível e comida.
Para ir do RJ à Bahia, nosso planejamento foi o seguinte:

Abastecer* no Rio de Janeiro
Compra de perecíveis

Rio – Búzios = 85mn
Búzios – Vitória = 190mn
abastecimento* de diesel em Búzios por galões
Total do trecho RJ – Vitória = 275 mn

Compra de perecíveis em Búzios

Abastecer* em Vitória
Compra de perecíveis em Vitória

Vitória Abrolhos = 170
Abrolhos – Sto André = 107
Total do trecho = 277 mn

Abastecer* em Santo André
O prático consegue combustível em bujões.
Há compras básicas de supermercado em Sto. André.
Dá pra alugar carro e/ou taxi até supermercado em cidades próximas.

Sto André – Ilhéus = 106 mn
Ilhéus – Camamu = 70
Combustível* em bujões
Água por mangueira
Compras de perecíveis com relativa facilidade

Camamu – Salvador = 70
Não há abastecimento em Camamu nem diesel nem água emborase possa conseguir via taxi/escuna
Compras em Barra Grande (escuna ou taxi)

Combustível* e água OK em Salvador
(Tenab o Aratau)
Compras em Aratu/Salvador só de taxi

* Abastecer ou verificar a necessidade conforme o consumo

Assim, não precisamos entupir o Tangata de frutas ou alface onde sabíamos conseguiríamos na próxima parada.
E sempre estivemos muito tranquilos em relação a combustível, afinal, previmos poder ir a motor do Rio a Salvador, o que claro, não aconteceu pois velejamos bastante.


Será que vai chover?

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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