Mas quem afinal são os Somalis?


Na Antiguidade, a Somália foi um importante centro de comércio com o resto do mundo antigo. Seus marinheiros e mercadores eram os principais fornecedores de incenso, mirra e especiarias, os itens que foram considerados luxos valiosos para os antigos egípcios, fenícios, micênicos e babilônios.
De acordo com a maioria dos estudiosos, o antigo Reino de Punt estava localizado na Somália. Os antigos Punties eram uma nação de pessoas que tinham relações estreitas com o Egito faraônico durante os tempos do faraó Sahure e da rainha Hatshepsut. As estruturas piramidais, templos e casas antigas de alvenaria em torno da Somália acredita-se que datam deste período. Na época clássica, várias antigas cidades-estado como Opone, Mosyllon e Malao, competiam com os sabeus, partos e axumitas pelo rico comércio indo-greco-romano que também floresceu na Somália.

Com a migração de famílias muçulmanas que fugiam do mundo islâmico nos primeiros séculos do Islã, e com a conversão pacífica da população somali nos séculos seguintes, as antigas cidades-estado gradualmente se transformaram em cidades islâmicas como Mogadíscio, Berbera, Zeila, Barawa e Merca. Mogadíscio chegou a ser conhecida como a Cidade do Islão e controlou o comércio de ouro do Leste Africano durante vários séculos.

No final do século XIX, após o fim da Conferência de Berlim, impérios europeus partiram com seus exércitos para aquela região da África. O líder somali Muhammad Abdullah Hassan, reuniu-se com soldados somali de todo a região da África e começou uma das mais longas guerras de resistência colonial.

A Somália nunca foi formalmente colonizada. Repeliram com sucesso o Império Britânico por quatro vezes e obrigou-os a retirarem-se para a região costeira. Após um quarto de século mantendo os britânicos na baía, foram finalmente derrotados em 1920, quando o Reino Unido usou pela primeira vez na África aviões que bombardearam a capital, Taleex. Como resultado os ex-territórios foram transformados em um protetorado da Grã-Bretanha. A Itália enfrentou situação semelhante quando sofreu a mesma oposição de sultões somalis e dos exércitos e não adquiriu o controle total de partes da Somália moderna até a era fascista, no fim de 1927. Esta ocupação durou até 1941 e foi substituído por uma administração militar britânica. O Norte da Somália continuaria a ser um protetorado e o sul da Somália tornou-se uma tutela. A União das duas regiões, em 1960, formou a República Democrática Somali.
Tanto interesse na região, deve-se certamente ao ponto estratégico de sua localização, controlando o Golfo de Áden por onde passa grande parte do petróleo mundial, além das rotas de transporte marítimo entre a Europa e a Ásia.
São mais de 20.000 navio anualmente, o que representa mais de 10% do comércio mundial.
Devido aos laços de longa data com o Mundo Árabe, a Somália foi aceita em 1974 como membro da Liga Árabe.
Siad Barre, ditador militar que subiu ao poder em 1969 com apoio dos EUA, foi deposto em 1991 e o país entrou em uma guerra civil pela disputa de várias facções pelo poder.

A Somália é conhecida por ser um dos países mais corruptos do mundo, apenas perdendo para Afeganistão, Mianmar, Sudão e Iraque.

É um dos países mais pobres do planeta, tendo poucos recursos naturais. A economia é excessivamente agrícola, pouco industrializada, sendo que as indústrias mais predominantes são a de refinação de açúcar e a têxtil. 65% do seu PIB vem da agricultura, contra 25% de serviços e 10% da indústria.

A economia foi fortemente afetada durante a Guerra Civil Somali. Grande parte de sua população que vive da criação de gado e é nômade ou seminômade. Além do gado, a banana é outro importante item de exportação.

Grande parte da economia se baseia à criação de camelos, setor pecuário em que o país possui o maior rebanho do mundo.

Aproveitando-se do desgoverno, nações européias têm invadido o mar territorial da Somália praticando a pesca predatória e mesmo jogando lixo tóxico em suas águas.

A Somália tem uma das mais altas taxas de mortalidade infantil do mundo, com cerca de 10% das crianças morrendo pouco depois de nascer e 25% das sobreviventes morrem antes dos 5 anos de idade. 1 em cada 10 mulheres morre no parto. A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, que também atua no Brasil e em muitos outros países (eu colaboro com a MSF !) considera a situação do país “catastrófica”. Para piorar, diferentemente do que a maioria das pessoas acham o país tem o maior número de subnutridos do mundo (75%), e não a Etiópia, que possui 50% de seu povo. Isso coloca a Somália entre os 8 países mais pobres do mundo (o mais pobre é Serra Leoa).

Desde o início da guerra civil, nos anos 1990, somalis tem praticado a pirataria nas águas ao largo da região conhecida como Chifre da África (Nordeste Africano), sequestrando navios e petroleiros e suas tripulações em alto mar, em troca de resgate, tornando a região uma ameaça à navegação internacional. A ação dos piratas somalis tem elevado o custo dos fretes e impedido a entrega de mantimentos às populações famintas do país por mar, sendo necessária a escolta de navios de guerra para o descarregamento nos portos somalis.

Em agosto de 2008, uma força tarefa naval de coalizão internacional, a Combined Task Force 150, que inclui navios de guerra do Canadá, Estados Unidos, Alemanha, França, Grã Bretanha, Portugal e Turquia entre outros, foi formada para combater a pirataria na região, estabelecendo uma área de patrulha e segurança marítima no Golfo de Aden.

Em 7 de outubro de 2008, o Conselho de Segurança da ONU baixou uma resolução convocando os países com vasos de guerra nas águas do leste africano a que colocassem seu navios à serviço do combate à ameaça crescente dos piratas somalis.

Os piratas são basicamente ex-pescadores, militares ligados aos clãs e técnicos em eletrônica e GPS, sendo estimados num total de 1.000 (mil) homens armados, que, em equipes, se utilizam de pequenas embarcações rápidas para interceptar e abordar os navios.

Assista AQUI um filme que resume essa história !
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(Texto adaptado e re-traduzido a partir da wikipedia. Fotos “pirateadas” pela web.)

Sobre Ricardo Amatucci

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