O que podemos aprender com o Rallye Iles du Soleil

O Rallye Iles du Soleil (RIDS) parte da Ilha da Madeira para o Brasil, passando pela amazônia.
Marrocos, Dakar, Cabo Verde, Salvador, João Pessoa, Noronha, Fortaleza, Piauí (Luis Correia), Pará e Amazonas são as escalas previstas para este ano. Nesse momento, os 26 veleiros que desembolsaram de 7 a 9 mil euros cada para participar, estão no Pará, com previsão de 45 dias pelos municípios da região, seguindo depois para a Guiana Francesa.
Nesse percurso não é raro o apoio dos governos estaduais e municipais, por meio de suas secretarias de Esporte, Turismo e Lazer. Os preparativos e apoios a chegada do grupo incluem em geral, ações que garantam a segurança dos velejadores.
As programações incluem visitas à fazendas, shows folclóricos coqueteis com autoridades. Cada trecho tem um coordenador operacional, que programa e responde por essa programação.

A maioria dos participantes está vindo à Amazônia pela primeira vez com a expectativa de conhecer a região e suas peculiaridades na culinária, cultura, música e artesanato. No Pará, a expedição começa por Soure, passando por Belém, São Sebastião da Boa Vista, Breves, Porto de Moz, Almeirim e Santarém, terminando em Afuá, cidade eleita pelos participantes de rallyes anteriores como a mais “charmosa e acolhedora” de todo o percurso.

A edição atual do RIDS começou em outubro do ano passado e já percorreu as ilhas da Madeira e de Cabo Verde, Marrocos e Senegal. No Brasil, as cidades visitadas foram João Pessoa (PB), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Fernando de Noronha e a comunidade de Luis Corrêa, na região do delta do rio Parnaíba, no Piauí.

O site do evento é bastante informativo, em diversas línguas, e deixa claras as condições essenciais de participação. Passando desde “um comandante feliz”, até o número mínimo de tripulantes indicado em cada trecho, procura dar aos interessados o maior número de informações possíveis. Inclusive indica uma escola a distancia para pais com crianças interessados em participar do evento.

Em nossas velejadas pela Bahia no Tangata Manu, encontramos com os veleiros no Terminal Náutico da Bahia (foto acima). Infelizmente pela rapidez com que ficamos lá (foi só de 31/12 para 1/1 na pasagem de ano), não foi possível conversar com nenhum participante para saber como eles avaliam e poder comparar com nosso querido Costa Leste.

Embora os modelos sejam aparentemente semelhantes, a versão brasileira ainda carece de uma visão mais profissional por parte dos organizadores. E aqui me sinto muito à vontade para falar, por ser um deles.

Talvez em breve consigamos melhorar alguns aspectos que hoje ainda ficam dependendo das mãos de pessoas experientes com boa vontade, mas que assumem “de favor” algumas tarefas que deveriam, ser profissionais. Afinal, a missão do CCL (e do CCS) é levar pela costa velejadores menos experientes e isso é uma responsabilidade e tanto, com necessidades enormes de organização.

As edições do Costa Leste, por exemplo, apesar de não cruzarem o oceano, têm saído com pelo menos o dobro da quantidade de veleiros do que o RIDS, em torno de 50 na média.

Onde ficar, quando sair, obtenção e análise da meteorologia, divisão dos veleiros em sub-flotilhas, organização de contatos pelo rádio nas travessias, acompanhamento da Marinha, autorizações, coordenação de eventos e datas, são as principais tarefas dos organizadores. E se essas tarefas não forem sendo tratadas com mais acuracidade e profissionalismo, divididas numa equipe maior que não necessariamente faça o cruzeiro como participante, os problemas certamente surgirão com maior incidência, transformando a diversão em preocupação e problemas.

A meteorologia pode – e deve – ser tratada como prioridade, tendo um profissional – ou pelo menos pessoa com vasta experiência e acesso a dados meteorológicos – responsável pela coleta e interpretação desses dados, repassando-os ao Comodoro do cruzeiro, que decide a melhor data de partida.

À participação de velejadores experientes, deve-se deixar claro que a prioridade dos cruzeiros são os menos experientes e que portanto sua capacidade de navegação e possibilidade de saída em tempo e mar um pouco mais desfavorável deve ser posta de lado em função dos menos experientes e que terão nessa experiência, a base dos próximos cruzeiros.

A procura da participação, que aumenta a cada ano (em 2010 saímos com 60 veleiros), apontando para inviabilizar algumas paradas e dificultando em muito essa organização. Certamente após a profissionalização de alguns aspectos, a realização dos cruzeiros da ABVC poderiam tornar-se anuais (e não bienais), a exemplo do RIDS, dando conta do público com mais fluidez e competência.

Os eventos em cada uma das paradas – recepções, churrascos, festas, passeios, fretamento de condução, queima de fogos, jantares, almoços, etc., deveriam ficar a cargo de alguém que se preocupasse com isso, sem que a organização do cruzeiro precisasse gastar – muito e muito – tempo com isso.

Acompanhamento via satélite através de aparelhos cada dia mais baratos, fazem com que amigos e familiares possam acompanhar a flotilha, além de dar um charme a mais e reforçar o marketing.

Como se vê, ainda temos muito o que fazer para tornar os cruzeiros da ABVC melhores e mais atraentes, embora já tenhamos conseguido muito progresso desde sua criação pelo saudoso Newson Campos e seu amigo Paulo Monteiro, velejadores do Iate Clube do Rio de Janeiro em 1987…

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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4 respostas a O que podemos aprender com o Rallye Iles du Soleil

  1. Hélio diz:

    Ricardo,

    Boas reflexões.
    Também acredito que a saída é pela porta da profissionalização.
    Se trabalhar não fosse contra meus princípios, eu até me candidataria😉
    Um cheiro pras meninas e bons ventos sempre,

    • tangatamanu diz:

      Caro Hélio, seu trabalho é subjetivo, maleável (como definir?) e por isso parece que não acontece… mas é importante na divulgação da vela de cruzeiro e sei o trabalho que é manter o blogue e o material da revista em dia. E se der pra tomar uma cerva no meio, que mal faz? hehehe Por isso sou fã do http://maracatu.worpress.com
      🙂

      • Hélio diz:

        Tangatamanu,

        Grato pelas palavras de incentivo mel Karo, digo meu caro.
        Agora… maleável!?! WTF, não tem um adjetivozinho melhor não?
        Deixando a gozação de lado, a turma do Rio está programando um micro-cruzeiro pelo lado de fora da Ilha Grande para esta carnaval. Bora lá? Tô sainda amanhã cedo pra encontrar o povo na Praia da Crena.
        Bons ventos sempre,

  2. tangatamanu diz:

    FLeXÍvELL? Cheio de manha? Com ginga? Jogo de cintura? NDA?
    vou ver como vou encontrar o Tangata depois de 8 meses sem marinheiro… seique as velas estão pela hora da morte… e aqui não me refiro ao preço, mas ao estado… Parece que o piloto pifou… veremos. Minha vontade é fazer a volta. Mas tbm quero ver como vai ficar o tempo. Se estiver ruim paro na premeira esquina e esvazio o Jonny…

    :-)))

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