Relembrando Abel


Em 8 de fevereiro de 2009, foi assassinado o velejador Abel Aguilar, 36 anos a bordo de seu catamarã “Pico Alto”. Sócio da empresa de aluguel de barcos Salvador Charters, ele foi morto na madrugada de um domingo na Ilha de Itaparica com um tiro na mandíbula e outro no peito durante um assalto.
Segundo informações da 19ª Delegacia de Polícia (Itaparica), dois homens entraram na embarcação e deram a voz de assalto. Abel teria reagido (ou se assustado) e por esse motivo foi baleado. O barco não estava atracado na marina, mas quando os tiros foram ouvidos foi dito que “a segurança teria saído em perseguição ao bote que foi usado pelos bandidos”, informação que não combina a priori com testemunhas que perseguiram os assassinos.

Depois de atirarem no empresário, os dois homens fugiram em um barco a madeira a remo. Um homem que estava em uma escuna seguiu os assaltantes em um bote e entrou em contato com a polícia. Depois de 15 minutos, os assaltantes abandonaram a catraia e seguiram nadando.
Os dois criminosos – Danilo Almeida dos Santos, conhecido com Tchan, e Diogo Pereira da Silva – foram presos na mesma madrugada. Eles confessaram o crime e foram julgados em outubro daquele mesmo ano. Danilo Almeida dos Santos foi condenado 24 anos de prisão e Diogo Pereira da Silva a dez anos em regime fechado.

Mas essa não deve ser a lembrança de Abel. Ao contrário. Dono de um currículo invejável e bom humor e de uma vitalidade ímpares, ainda podemos vê-lo no Youtube em vídeos da travessia num Open 60 desde Noronha até a França:

Além desse mais outros dois completam a trilogia, procure por lá.
Quando estivemos em Itaparica no início deste ano, já não se falava mais em violência por lá. O máximo que encontramos foi alguns bêbados e uma prostituta que não nos incomodaram (muito…). Claro, até pelas circunstâncias que envolvem as grandes cidades e os grandes destinos turísticos no Brasil, é apenas uma questão de tempo para que alguma coisa aconteça. A política de segurança pública no Brasil continua burra, “esquecendo-se” que o turismo perde muito com acontecimentos dessa natureza. A Bahia é imensa e Itaparica também muito grande, dando espaço a esse tipo de ação criminosa. Se as autoridades têm dificuldades para lidar com a criminalidade no asfalto, o que dirá no mar?!
De nossa parte, nunca demos muito motivo para problemas (embora o caso de Abel prove que isso de nada adianta…) evitando ficar a noite fora do veleiro ou mesmo estar nas ruas quando escurecia. Nosso dia começava cedinho e terminava cedo. No máximo uma cerveja ou jantar nas imediações da marina de Itaparica, de chinelo de dedo e camisetas simples.

Em Salvador, nos orientavam para “jamais andar na rua após o pôr-do-sol, pricipalmente com esas caras de europeus”. Numa saída de taxi passamos pela equivalente à nossa cracolândia – algo como o inferno de Dante na terra – e na Lagoa do Abaeté, o motorista da van nos orientou: “Vou passar devagar sem parar e ninguém abre o vidro”…

Se por um lado entendo que não precisamos dar mole pra sorte, também não acredito que devamos deixar de viajar e conhecer os lugares tão bonitos que esse Brasilzão nos reserva. Em muitos lugarejos fora do agito éramos recebidos muito bem e em nenhuma ocasião – mesmo em Morro de São Paulo – tivemos problemas com o bote, o motor de popa ou qualquer outra coisa que nos deixasse intimidados.

Enquanto isso esperamos por uma justa e pública homenagem a nosso amigo velejador Abel. Uma simples placa que seja.
Quem se importa ?

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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