Nossa estada em Floripa

Vou começar este post com duas fotos. Uma da década de 50, roubada do blog do Bruxo onde se pode encontrar muitas fotos antigas de Santa Catarina, e outra que tiramos esta semana, do mesmo local. Além da diferença gritante do avanço dos edifícios que aparece na foto, chama a atenção a nova ponte, cuja chegada na ilha foi preparada com uma grande área aterrada. Ainda hoje a velha Hercílio Luz está lá, sem uso, mas iluminada e deixando as noites de Floripa mais bonitas. A manutenção do velho monte de metal ainda divide os barriga verdes: uma parte acha que o dinheiro gasto em sua manutenção é jogado fora. Outra, agradece o carinho. Vou ser direto: eu que moro em São Paulo e vejo montanhas de dinheiro jogados fora, desperdícios e descaso público a cada esquina, turistão por natureza, prefiro a ponte lá. Desde que passei por baixo com o Tangata em 2009 com muita emoção, ela foi um marco. Pra mim, Floripa não pode existir sem a Hercílio Luz, as ostras e o casario do Ribeirão da Ilha, a lagoa da Conceição, a Praia Mole, a Joaquina e suas barraquinhas para turistas como eu, e claro, as loiras bonitas embora eu leve a minha de casa (essa salvou o dia…). Sob ela, ficava o estaleiro Arataca. O estaleiro foi construído em 1907 a fim de fazer a manutenção da frota da Empresa Nacional de Navegação Hoepcke (ENNH) fundada em 1895 por Carl Hoepcke em São Francisco do Sul. Lá onde hoje funciona o museu do mar, que tanto comento no livro e mesmo já postei algo por aqui. Pois bem, quando chegamos ao Iate Clube de Santa Catarina, nos deparamos com nada mais nada menos que o veleiro “Anita” no pontão. O Anita foi o primeiro veleiro construído pelo estaleiro Arataca em 1944, e voltou a Florianópolis após passar 15 meses sendo reformado em Balneário Camboriú.Foi a própria Anita Hoepcke da Silva, que reapresentou o novo Anita. Ela inspirou o nome do barco encomendado por seu pai, Aderbal Ramos da Silva, então governador de Santa Catarina. Trata-se de um veleiro classe Hamburgo de 33 pés e 10,2 metros de comprimento projetado por Mário Nocetti. Hoje, recuperado pelo Instituto Carl Hoepcke, o velho Anita está imponente, reluzente e cheio de vida. Interessante ver algumas partes, como a gaiúta sobre a cabine, toda em bronze com vidros, funcionando como uma janela de duas partes… Com suas linhas clássicas, seu revestimento em madeira e seus detalhes em bronze, essa velha dama ainda causa certa nostalgia quando vista de perto.

Na chegada encontramos também os amigos que recém chegavam do Costa Sul, ainda descansando da viagem, alguns com cara de ressaca. Talvez pelo mau tempo que pegaram na noite da chegada… talvez pela cerveja mesmo… (risos). O certo é que logo foram dando a notícia da matéria na Revista Náutica, o que nos deixou lisonjeados e curiosos, pois ainda não havíamos visto a reportagem. Depois de algum tempo num gostoso papo, fomos até a secretaria e o restaurante, onde havia vários exemplares à disposição. Claro, pegamos alguns. Não deixei de procurar nas bancas para conferir e sim, estavam lá encartadas na edição mais recente da revista Náutica. Após nos acomodarmos no hotel, voltamos à noite para a palestra. Fui convidado pelo Comodoro do Veleiros da Ilha (apelido do Iate Clube de Santa Catarina), para fazer uma palestra com o tema do livro. Apesar de já ter feito muitas palestras, tanto pela escola, como pela ABVC, e só sobre o Costa Sul acho que foram mais de 5 delas, essa foi a primeira na qual eu não falei como organizador, como membro da ABVC. Foi uma depoimento pessoal de uma experiência de vida. E pelo que senti da platéia e mesmo das várias pessoas que nos procuraram após a palestra, o resultado foi o esperado: passar aos outros um pouco de nossos erros e acertos na vela e na vida. Depois da palestra foi oferecido um jantar com música ao vivo a todos participantes do Costa Sul. Uma paella. No fim da noite, “nosso” saxofonista juntou-se ao pianista do bar do clube e o baile rolou solto até altas horas. Infelizmente para a Diana, eu não sou o que se pode chamar de pé de valsa e cansado que estava, pegamos um taxi e fomos dormir.
Dia seguinte foi destinado a um passeio pela linda ilha de Florianópolis. Alugamos uma van com uma turma de velejadores e fomos fazer o tour clássico: mirantes, lagoa da Conceição, Joaquina e finalmente comer ostras – ah, coisa maravilhosa, ostras gratinadas com cerveja Original gelada – no Ribeirão da Ilha, bairro típico da colonização açoriana. Essa foto aí em cima é da lagoa, linda. Quem vive por lá reclama do movimento, da poluição, mas deve ser porque não convive com o Tietê, o rio Pinheiros, as marginais e os motoqueiros aqui por Sampa… Coi-de-lôco…

No sábado cedo ainda demos uma ida a um magazine e compramos umas camisetas e moletons, bem mais baratos que aqui em SP. Depois fomos “despejados” do hotel cujo checkout se dava ao meio-dia. Pelo menos deixaram as malas por lá. Nosso vôo só saia à tarde. Aproveitamos para ir almoçar num shopping center, dar umas voltas e aí sim, retornar pra casa com saudades desse lugar maravilhoso que é Floripa ! Não vejo a hora de voltar !

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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4 respostas a Nossa estada em Floripa

  1. Ricardo,
    Sua visão de Floripa é bastante interessante, bem ilustrada e bem descrita, o que demonstra acurada pesquisa.
    Só uma ressalva: o “apelido” do Iate Clube de Santa Catarina é VELEIROS DA ILHA. O Veleiros do Sul é co-irmão de Porto Alegre.
    Parabéns pela palestra e pela matéria na Náutca Sul.
    Abraço,

  2. Muito bom Ricardo!

    Esta é a nossa querida Floripa. Tamo agitando uma palestra pra ti no VDS (Veleiros este do Sul) em Porto Alegre.

    Abraço

    Fernando

    • tangatamanu diz:

      Será um prazer inenarrável aportar em terras gaúchas para falar aos seus conterrâneos. Principalmente se rolar um churrascquinho com vinho !!!🙂

      Abraço

      Ricardo

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