Homenagem ao Arizon

Quem leu nosso livro “Uma família pela Costa Sul”, deve se lembrar de nossa passagem por Itajaí, quando descobrimos, na chegada, que a âncora estava solta e por muito pouco não havíamos perdido. Ocorreu que o parafuso que a prendia na corrente havia se soltado e quando fui dar uma olhada o conjunto estava lá. Corrente caída e âncora simplesmente colocada no suporte, para cair a qualquer momento.


Em nosso desembarquem enquanto todos foram sentar e esvaziar o barril de chope que a ANI (Associação Náutica Itajaí) havia no oferecido, eu fiquei feito barata tonta procurando onde achar um parafuso e uma porca inox que servissem no lugar. Afinal íamos sair no dia seguinte e sem âncora, a próxima ancoragem estaria comprometida: encrenca na certa.
Foi o Sr. Arizon que, ouvindo minhas perguntas e sem nunca ter me visto na vida simplesmente disse: venha. Eu te levo no meu carro. Conheço uma ou duas lojas que deve ter o parafuso.

E de fato me levou pelas ruas de Itajaí para duas lojas (a primeira não tinha). Papo solto, gostoso, foi mostrando a cidade, contando sua história vivida nela. Sua casa que passamos em frente também não escapou da visita forçada à cidade.
Achado o parafuso, me levou de volta.

No dia seguinte nos convidou para conhecer seu barco – um motor-sailer que estava terminando de construir e que leva seu nome: Arizon. Visitamos por dentro e por fora, observando o trabalho primoroso em madeira, os acabamentos, as ferragens e tudo que ele mesmo fabricou – das vigias aos detalhes de inox e ferro, internos e externos. Das portas à roda de leme. Praticamente nada comprado pronto.
Foi com muita surpresa que li no blog do Hélio (Maracatu), a notícia da morte do Sr. Arizon.
A lembrança daqueles dias em Itajaí foi imediata.
Fica a lembrança e a homenagem a este velho marinheiro de verdade…

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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