Tio posso visitar o barco?

Definir é difícil. Santo André é um desses locais que você imagina que vai encontrar quando pensa em subir a costa: pé no chão, baianidade pelas ruelas de terra, e a molecada azucrinando todo mundo. A molecada fica na pequena praia que surge principalmente na maré baixa. Nadam até os veleiros, sobrem e pulam na água. A farra é tanta que não dá nem pra ficar bravo.
Era só bobear e a molecada vinha nadando pro Tangata. Aliás, para qualquer veleiro. Subiam andavam até a proa e pulavam ou subiam e pulavam da popa mesmo, sem a maior cerimônia. Alguns perguntaram se podiam visitar o Tangata por dentro. Explicaram que o “outro tio” não deixou…
Pra encurtar, mais de 20 crianças conheceram o Tangata, quatro ou cinco por vez. No cockpit eu começava a explicação de como um veleiro anda, as velas, os cabos, o leme, os eletrônicos. Depois descíamos e dentro do Tangata colocava-os para falar com outros veleiros pelo rádio, mostrava o ecobatímetro, as baterias, a localização no GPS, as cartas digitais, as cartas de papel, a geladeira (nossa, olha, gela mesmo!), o banheiro (dá para tomar banho aqui, tio?). No final armava a mesa – pra espanto geral tomávamos um chá gelado.
Olhinhos brilhando, felizes, lá se iam embora enquanto outro grupo vinha sentava no cockpit…

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.