A 23ª Refeno faz 25 anos… Como?

Às vésperas de sua XXIII edição, é difícil não pensar nas edições anteriores da Refeno, principalmente se – como eu – já participou de algumas delas. Mais que lembranças da navegação e dos passeios à ilha, um verdadeiro paraíso na terra, em uma das minhas estadas por lá conversei com o Léo, filho do dono do primeiro veleiro a chegar a Noronha, o Odysseus. Ele é (ainda está por lá, coitadinho, largado na praia) um veleiro Arpége, francês, de 30 pés. O pai de Léo e mais quatro amigos organizaram um cruzeiro. A ideia surgira depois de três tentativas frustradas de outros barcos.

A viagem dos pioneiros da Refeno teve a saída do Cabanga em direção à Noronha no dia 22 de setembro de 1984 às 13h45min, e às 13h15min do dia 24, Maurício Castro avistou a ilha na proa do Odysseus. Somente por volta de 19h é que estavam próximos de onde hoje está o porto. Na chegada, entretanto, como não conheciam o local e já havia escurecido, ficaram velejando até amanhecer para decidir onde ancorar. No total, a viagem durou 54 horas e teve alguns atropelos, como o momento em que o Odysseus quase bateu em um navio durante a noite. Tudo devidamente registrado no diário de bordo. Essa foto aí ao lado (clique para ampliar) é da viagem original do Odysseus, cedida a mim pelo Léo.

Em outras duas oportunidades falei com Maurício Castro, já falecido, e o criador da Regata que anualmente sai de Recife para chegar a Noronha.

A primeira não foi regata, foi viagem. A segunda teve o infeliz nome de “Cruzfafeno” – Cruzeiro em Flotilha ao Arquipélago de Fernando de Noronha. Com o sucesso da tal “Cruzfafeno”, um ano depois, em 27 de setembro de 1986, foi realizada a primeira regata, agora com o nome que marcaria sua história, Refeno.

Participaram da primeira Refeno os seguintes veleiros: Quarta-feira 17 (de Maurício Castro), Tito V (Carlos Alberto Ciarlini), Venestal (Antônio Marques), Viverane (comandado por Carlos Fázio), Sapeca (Paulo Almeida), Pato III, Odysseus (Raimundo Nonato Veras), Capitão Cook, Noturno n. 2 e o Ruim de Mar, todos de Recife. Este último, segundo seu comandante Paulo Toró, “um catamarã comprado especialmente para ganhar a regata”. Do Rio Grande do Norte participaram Rosa dos Ventos e Dianteiro. De São Paulo vieram Bicho Papão (Fast 40), Blue Chip e Manostto (Main 34). Do Rio de Janeiro os veleiros Mar vilha, Ana C (comandado por Newson Campos o criador do Cruzeiro Costa Leste), Lidya Ann, o Windancer (do comandante Nicolas Mikay – Velamar 36) e o Shogun Maru (Chance). Do Rio Grande do Sul, Charrua; da Bahia, Paula VII, Esotérico e Odara. O também gaúcho Formidable (de Luiz Felipe Nolasco) acabou fazendo água, tendo que retornar. Clique aí ao lado para ver a notícia do jornal da época da primeira Refeno !

A segunda Refeno aconteceu em 1987, mas a terceira edição só aconteceu em 1990. Por isso, se você fizer as contas vai ver que, apesar de estar na 23ª edição, a Refeno tem desde sua primeira edição com este nome, 25 anos.
Se contarmos a Cruzfafeno – já que ela também saiu de Recife para chegar a Noronha, são 26 anos de regata!
E se levarmos em consideração a viagem inaugural de Maurício Castro em 1984, serão 27 anos. E pra você, quantos anos a Refeno tem?

Quem quiser saber mais dessa e de outras histórias fantásticas da nossa vela, dê uma olhadinha no site do meu livro: www.sobrehomenseveleiros !

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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2 respostas a A 23ª Refeno faz 25 anos… Como?

  1. Fininho diz:

    Ola!
    Nao entendi. La por 1980 estive em Noronha com um veleiro do Rio Grande do Sul, chamado Umuarama III comandado pelo saudoso Sidney Saltz. Inclusive a familia do Dandao nos ajudou quando a ancora garrou na baia do sueste. Antes disso o veleiro Plancton tb do Veleiros do sul de Porto Alegre andou por Noronha na volta de 1977..por ai. Como assim a viajgem pioneira foi em 1984???
    Abracos

    Fininho
    Veleiro Zuretta

  2. tangatamanu diz:

    Oi Fininho,

    Certamente houve outros veleiros antes de 77 também. O artigo refere-se ao pioneirismo no sentido “do que se antecipa”, da origem da Refeno e não do primeiro que chegou lá. Embora o primeiro a chegar lá à vela tenha sido Américo Vespúcio, hoje ele tem menos fama entre os velejadores que o Maurício Castro (risos). Mas vc tem razão o texto ficou confuso. Dei uma arrumada… Gostaria de saber se você tem fotos e relatos dessa época que citou (77 – 80…). Se tiver e quiser me mandar (direcao@uv.com.br), será um prazer publicá-las e ajudar a escrever a história de Noronha. De resto,qqr erro pode colocar na minha conta !🙂
    Abração e obrigado pela audiência no site. Continue nos visitando…

    Ricardo

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