A Eldorado-Brasilis pode virar baiana?

A regata Eldorado-Brasilis sempre foi realizada entre a cidade de Vitória (ES) e a Ilha de Trindade (20º30’S e 29º18’W), a ilha mais distante do território nacional, a 630 milhas náuticas (1.160 quilômetros) do continente, o que, para se ter uma boa ideia, equivale a um terço do caminho para a África.
O que poucos sabem é que no início, foi aventada a possibilidade dela sair de Salvador.
Uma outra curiosidade conhecida por poucos, é que a regata foi idealizada pelo jornalista, velejador e executivo de projetos especiais da Rádio Eldorado, Plínio Sampaio V. Romeiro Jr., e está ligada à Semana de Vela de Ilhabela.
Até 1995, as regatas da Semana de Vela de Ilhabela eram somente locais, sem partir para mar aberto. Veio, então, a ideia de Plínio para realizar uma regata oceânica até Alcatrazes. A I Regata Eldorado Alcatrazes aconteceu em 1996, na 23ª Semana de Vela, e repetiu-se ano após ano, sempre no final de semana que antecedia as competições.
Somente em 1999 a regata passou a somar pontos e foi incorporada às regatas da Semana de Vela de Ilhabela. Segundo Plínio Romeiro, “o que aconteceu foi que os velejadores adoraram nossa regata, pois de fato estavam numa regata oceânica em mar aberto. Diante disso, me ocorreu fazermos uma maior, oceânica ‘de fato’, e a ideia foi Trindade. Quando propus para o diretor da Rádio Eldorado, João Lara Mesquita, ele topou na hora. Demos o nome de ‘Eldorado Challenge’”.
(Já mostrei aqui no blog o logotipo da época neste post).

A primeira ideia era fazer uma regata Búzios-Trindade. Ainda no ano de 1999, Plínio conversou com Lars Grael, que sugeriu conversarem com Beto Gomes, de Vitória (ES). Em seguida, marcaram uma reunião com João Lara Mesquita e com o prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas. Por Vitória ser uma capital com um boa infra-estrutura e na mesma latitude de Trindade, nasceu a I Regata Eldorado-Brasilis.
Com a largada a partir de Vitória (ES), a regata vingou. Também ficou conhecida pela dureza e pelas dificuldades que as embarcações e suas tripulações enfrentam. Ao longo dos anos de realização, foram comuns casos de quebras de mastro, velas rasgadas, cabos ou motores quebrados, desistências diversas e, por consequência, um número reduzido de veleiros se inscrevem, e menos ainda terminam essa dura regata. Não é para qualquer um.
Eu já tive esse privilégio em 2008 chegando na ilha após 10 dias de mar. E consegui algo que também é raro: o desembarque. Sim, não basta chegar, é preciso que as condições de tempo permitam o dificil desembarque no único ponto de areia, uma praia com pouco mais de 10 metros na ilha toda. De resto, só coral e pedras… muitas pedras.
A natureza exuberante compensa todo o esforço: parece que estamos num filme da National Geographic. Com certeza pisei onde poucos pisam…

Depois dessa edição, a oitava e que foi a última até agora, o principal patrocinador – Prefeitura de Vitória – não mais se interessou em fazer a parceria com a rádio Eldorado e a maior regata oceânica do Brasil não teve continuidade. A perda é inestimável. E a burrice, incomensurável. Enquanto se investe dinheiro para receber regatas de fora – algumas de pouca importância – a Eldorado-Brasilis não recebe investimento com retorno garantido, dada a visibilidade não só do parceiro Grupo Estado, do evento em si pela magnitude que tem.
Será que, num momento em que há uma tentativa de colocar a Aratu-Maragojipe no circuito baiano de vela, também não estaria na hora de voltar a pensar na Bahia como largada da Brasilis?

Clique nas imagens para ampliar:

E se vcê quiser saber mais sobre a Eldorado-Brasilis, a Semana de Vela de Ilhabela, sua origem, participantes e várias outras estórias muito legais da vela brasileira leia meu livro Sobre Homens e Veleiros!

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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