Refeno 2011

Este ano Éolo e Netuno foram bonzinhos. Na Refeno houve pouco vento e pouco mar. Ao contrário de 2010, quando, raivosos, os deuses resolveram dar seu recado pra turma que veleja: “Nem vem de garfo que a comida hoje é sopa !” – disse um deles. Eu disse sopa?

Dos participantes, 18 tiveram problemas graves pelos meus levantamentos: o trimarã Nativo ficou sem mastro; o veleiro Macu da Argentina desistiu e retornou, pois uma das tripulantes entrou em pânico; o veleiro Azogado teve problemas no mastro. No Luthier um tripulante passou mal e comandante, segundo suas próprias palavras, “ficou sem forças”, mas ainda conseguiu dar reboque para o veleiro Samsara. Este, um 40 pés de regata construído em fibra de carbono e com dez tripulantes a bordo, sendo um deles tripulante do Brasil 1 (o veleiro brasileiro representante na Volvo Ocean Race), ficou sem o leme, que quebrou e se perdeu no mar. No veleiro Fram um tripulante sofreu um AVC.

 
O veleiro Guga Buy também teve problemas no leme e retornou ao Cabanga para reparos, retornando depois para Noronha. O catamarã Shekinah perdeu a adriça da geneaker e da vela principal, além de ter a catraca arrancada pela violência dos ventos. Além desses, o Safena retornou para Recife, e os veleiros Lacrau II, Delirante e o Kon Tiki também retornaram com quebras. O Gameio partiu o cabo do enrolador duas vezes, e o mastro cedeu três centímetros para baixo, cabine adentro. O Spartano quebrou a caixa da bolina e perdeu a adriça da genôa e o Waa-Waa-Tu chegou em Noronha com leme quebrado. O Taouhiri quebrou a corrente que liga o leme ao timão. O Flyer – que depois seguiria para o Caribe – perdeu o traveller da vela mestra. No blog do veleiro Taouhiri, ficou registrado:

 “Pelo rádio escutávamos os diversos pedidos de ajuda à Marinha, barcos com leme quebrado, desmastreados, alguns voltando ao continente para reparos como o Delirante e o Guga Buy com seus cabos de aço que ligam o leme ao timão estourados. Ouvimos também um barco solicitar auxílio médico à Marinha, pois seu tripulante estava inconsciente (mais tarde soubemos que ele havia sofrido um AVC) e tinha que ser internado no hospital em Natal. Outros barcos retornaram pois seus tripulantes não aguentaram o tranco. Outro rasgou a vela mestra, outro perdeu nada menos que uma catraca pela força do vento. Outro a âncora, e assim por diante. Íamos escutando pelo VHF e pensando em como estava mesmo duro o mar. Na chegada em terra soubemos que quase todo mundo havia enfrentado pelo menos algum inconveniente…”.

Segundo o site da Revista Náutica, “ventos de até 50 km/h e ondas que chegaram a quatro metros e meio causaram a quebra de leme em diversos barcos, ferindo tripulantes de três, que tiveram de ser removidos para o navio da marinha”.

Este ano, como pode ser visto na matéria que abre este post, por volta de 23 veleiros (os números exatos deverão ser divulgados pela organização ainda esta semana) veleiros não conseguiram chegar a Recife para largada. Por tudo isso é que está sendo aventada a possibilidade de se retardar a regata para o final de setembro/inicio de outubro quando historicamente a meteorologia é mais condescendente com os velejadores.
Caso essa notícia se confirme, mostrará que a organização da Refeno está antenada com o que há de mais importante na vela: a união de prazer e segurança na competição mais charmosa e bela do Brasil. É aguardar pra ver…

Os resultados e detalhes da competição de 2011 podem ser vistos no site da Refeno clicando aqui!

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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