Os novos lobos do mar

Joshua, de Moitessier Quando eu assisti pela primeira vez (sim, porque o DVD já está gasto…) as cenas originais do Bernard Moitessier a bordo de seu Joshua, em 1968 cruzando os oceanos do mundo sem escalas, percebi que somos todos um pouco – digamos – afrescalhados hoje em dia no que diz respeito à equipamentos de navegação. Sem GPS, sem previsão meteorológica e com uma comunicação muito limitada, percebi que o heróico veleiro tinha cabos (ou seriam cordas) de sisal, os esticadores eram bem precários e o sistema de leme um amarrado de cabos de aço que poderiam se romper (e rompiam!) a qualquer hora. Mas o homem e seu conhecimento do mar e do veleiro compensavam essa falta de tecnologia. Hoje os materiais “resistentes” e a “super tecnologia” evoluiu tanto que já não permitem que os super veleiros da Volvo Ocean Race terminem sequer a primeira perna da viagem que Moitessier fez sem escalas naquelas condições…

Mas se eu demorei a entender que não é preciso um super veleiro para navegar pelo mar, algumas pessoas parecem estar no caminho certo e não levaram tanto tempo assim. Entenderam que basta a embarcação estar dimensionada para a viagem e que o conhecimento e a relação do navegador com a natureza é o mais importante.
E se o veleiro cabe numa carreta, melhor ainda. Vai tipo caracol, puxado nas costas, como é o caso do casal de amigos Aristides e Cristina Carvalho (Cris e Tide) – ele, na foto de vermelho, e ela no detalhe – e o Werner Rossger (em pé, de chapéu). Os primeiros, começaram a velejar não faz muito tempo, com um Flash de 16,5 pés sem cabine batizado de Kiwi por causa do pequeno pássaro de mesmo nome (antes que alguém maldosamente diga que é por causa da frutinha…). Já o Werner fez seu próprio veleiro em 1975, todo de madeira, do mastro ao casco, e que está como novo até hoje. É um projeto “Zugvogel” de 19 pés chamado Jacaré VI que lembra um Snype. Mas ele fez outro menor (na foto ao lado na Ilha da Cotia em Paraty, com o Kiwi ao fundo) e dependendo de onde vai, leva um ou outro. Também a exemplo do Kiwi do casal Cris/Tide, “descabinado”. Mas nada que a inventividade não resolva: ambos têm barracas adaptáveis, kits-cozinha e com sacos de dormir, cobrem as necessidades de pequenos cruzeiros no mar. Werner por velejar há tempos, claro, é mais hábil no manejo do veleiro, mas nada que alguns anos de prática não façam pelo casal.
São todos os novos lobos do mar. Vivem dizendo aprender com os “mais experientes”, mas na verdade eles, com seu amor pelas coisas do mar e da vela, é que acabam nos ensinando, como Moitessier: basta uma imensa vontade de viver o mar, algo com velas e que flutue, e um pouco de criatividade, para nos ensinar que a vida é simples.
E o mar maravilhoso!







Werner no Jacaré VI

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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