Marina Bracuhy troca de mãos


A Marina Bracuhy, considerada a “casa dos velejadores” na região de Angra, pela simpatia e serviços que presta à comunidade náutica, está mudando de dono.
Localizada dentro da Porto Marina Bracuhy, possui por volta de 500 embarcações sob sua guarda.
Em meados de 2010, parte do complexo que era constituído pelo estaleiro e oficinas já havia sido vendida para o grupo AC Lobato Engenharia (Marina Verolme). Agora foi a vez da arte molhada (vagas e píeres), adquirida pelo grupo JL Construções Civis Ltda. com sede em Cascavel – PR, com mais investidores de São Paulo e do Rio de Janeiro. A empresa JL foi fundada em 1977 pelo engenheiro civil João Luiz Félix, e hoje conta também com a parceria de seus dois irmãos José Luiz Félix e Joacir Luiz Félix. Dona de um portfólio invejável, com edifícios de alto padrão espalhados pelo país, nesses mais de 30 anos a construtora também participou de inúmeras obras públicas como fóruns, aeroportos, prefeituras, hospitais, universidades, hotéis, igrejas, escolas e até de um presídio federal em Catanduvas. A empresa também tem parcerias com a construtora Camargo Corrêa. No Bracuhy, o representante é o Sr. Mauro Almeida, proprietário da imobiliária Angra Náutica. Procurados por e-mail, nem a construtora nem o Sr. Mauro Almeida quiseram se pronunciar sobre a nova aquisição, nem responder se os investidores de São Paulo e Rio de Janeiro têm alguma relação com o grupo AC Lobato.
A Marina Bracuhy era administrada por arrendamento da área desde 1991 a partir do o loteamento de parte de um imóvel denominado “Fazenda Bracui”. Sua história remonta ao século XVIII, quando Antonio Alves Chaves e sua mulher Anna Chaves, que a haviam recebido, por sesmaria, quando de sua saída de Portugal, em 1742, denominando-a, então, Fazenda do Bracuí. Até o ano de 1850, o município de Angra dos Reis, onde está a Fazenda do Bracuí, foi destaque pela produção de cana e comércio. A partir dessas atividades floreceram portos como Jurumirim, Ariró, Itanema, Frade e Mambucaba. Por eles eram escoadas também as produções do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
Em 24 de março de 1881, o Governo Imperial concedeu ao Engenheiro Manuel Caetano da Silva Lara benefícios para a construção de um Engenho Central para a produção de açúcar. A idéia foi encampada pela empresa do Rio de Janeiro, Souza, Irmão & Cia. que imediatamente encomendou na Europa o maquinário mesmo sem ter sido escolhido o local para a edificação do engenho, o que ocasionou prejuízos pois todo o equipamento ficou ao relento enferrujando por muito tempo. O local do Engenho (na foto acima de 1921 o engenho – à direita – ainda aparece inteiro) também foi mal escolhido: Distante do mar, com pouco calado e propenso a cheias, e por conseqüência assoreamento. Mesmo com a construção de um cais com 250 metros e que permitia somente a atracação de embarcações de muito pouco calado, o Engenho foi inaugurado em junho de 1885, pelo Ministro da Agricultura, Conselheiro Antonio Carneiro da Rocha. Em 1886 o controle do empreendimento passou para a Furquim, Joppert & Cia.
Hoje as ruínas do engenho estão dentro da propriedade do Hotel Bracuhy, construído ao lado. Ainda é possível caminhar pela construção. No final da década de 1990 o local foi usado como boate, tendo sido cimentada uma grande área central, além de implantado um palco, que ainda permanece por lá. A construção é imponente, de paredes altas feitas de tijolos e rodeada por algumas palmeiras. As grandes janelas abertas para a paisagem e as altas colunas ajudam a compor os amplos ambientes. O prédio central acima do pavimento térreo tinha mais dois andares, sendo a construção de maior altura presente no conjunto. Em alguns locais é possível observar-se túneis subterrâneos que levavam um curso de água abaixo do nível do piso. Do interior do Hotel do Engenho podemos ver as ruínas através de grandes janelas envidraçadas, a partir de um ponto de vista mais alto, o que reforça sua imponência e empresta ao hotel um cenário especial.
A ABVC realiza seus encontros no Bracuhy desde 2006, recebendo sempre apoio e a infraestrutura necessárias para essa realização, especialmente por seu diretor, Hugo Nunes e sua equipe (Na foto, Hugo ao centro). Ele também não quis falar sobre as mudanças: “Vamos aguardar os acontecimentos com serenidade, na certeza que o futuro do Bracuhy será melhor para todos”, disse. Esperamos que com essa troca, exista continuidade na parceria entre a marina e a ABVC. Afinal foi a partir deste convênio que a vela se fortaleceu por lá. E com essa continuidade, todos só têm a ganhar.

E na minha opinião pessoal, o trabalho do Hugo no Bracuhy sempre foi e é ssencial num momento como esse, de transição. Afinal, quem conhece melhor as mais de 500 embarcações, seus proprietários e moradores que estão por lá?

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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