Mairahu: A luz do sol ao amanhecer

Era domingo, quase ninguém estava pelas ruas. A cidade estava quase deserta. Quase. Numa das ruelas de paralelepípedo, que acabava numa escadaria íngreme, parei para fotografar uma casa. Verde clara, sua fachada simétrica tinha a porta central ladeada por dois pares de janelas e uma inscrição no beiral: 1936.
De repente fui abordado por um bêbado. Ele me pegou pelo braço e foi me levando justamente para a casa que estava fotografando, me explicando que lá morava uma moradora antiga da cidade que havia escrito um livro.
Bom, pensei, assim me interessa. E lá fomos nós, eu pelo braço do senhor – digamos – alegre. Ele bateu, chamou a senhora e foi-se embora. Bárbara Lemos Freire me atendeu com simpatia. Pediu que entrasse e sentasse, me trouxe seu livro que autografou com carinho. Enquanto esperava vi sua foto emoldurada na parede: era jovem, já com ares de quem queria mais da vida. Um olhar nordestino: forte, profundo, de quem sabe o que quer. Depois me trouxe um álbum de fotos e passou a me contar estórias que, infelizmente não tive muito tempo para ouvir. Queria que tomasse um café… Mas a escuna que nos levara estava indo embora e precisava embarcar. Pena. Certamente me deliciaria com suas estórias. Despedi-me com a promessa de mandar pelo correio o meu livro, “Sobre Homens e Veleiros”, o que fiz assim que cheguei a São Paulo.
Maraú, conforme aprendi no livro dela, é um nome indígena que significa “luz do sol ao amanhecer”. As primeiras notícias dessa localidade datam do século XVIII, a partir da descoberta de uma tribo indígena de nome Mairahu, por frades capuchinhos italianos em 1705. A cidade é simpática e vale uma parada para um passeio pelas ruas singelas e calmas. Ladeiras, a igreja, o porto. Uma venda aqui, um boteco ali. Um cachorro preguiçoso deitado numa sombra vai te olhar com preguiça.
Hoje, esquecidas pelo tempo, a cidade e Dona Bárbara resistem num cantinho da cidade, às margens do Rio Maraú. Lindas, simpáticas e cheias de história pra contar, a quem quer que se disponha a chegar por lá…

(Essa e outras estórias estão contadas no livro “Uma Família pela Costa Leste” que você pode adquirir aqui)

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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