De cara com as feras

Há vida em Buenos Aires fora dos shows de tango, dos bifes de chorizo, das comprinhas para barcos e dos excelentes vinhos a preços melhores ainda (DV Catena Zapata = de R$70,00 a 90,00 no Brasil / R$ 29,00 na Argentina!).
Mas é pra quem gosta de fortes emoções.
Descobrimos numa conversa no lobby do hotel que existe um zoológico em Luján, distrito há uns 70 km de B. As. e que realmente foi uma experiência inesquecível. Os animais são domesticados (se é que um leão ou tigre é domesticável…) e podemos não só entrar na jaula dos bichinhos como interagir com eles, passando a mão e tirando fotos de pertinho. E antes que você imagine não, não são fedidos nem a jaula é suja. Embora o local seja mais uma fazenda do que um zoológico no sentido turístico, os animais são muito bem tratados (vê-se pelo aspecto saudável) e o manejo é feito com carinho e respeito em revezamento de vários animais no período diurno, quando são menos ativos e costumam estar dormindo para respeitar seu descanso. (Um leão dorme até 20 horas por dia!). À noite não se entra nas jaulas, embora possamos acampar e ficar lá para observar os hábitos noturnos, desta vez mais de longe.
Pudemos pegar os filhotes de tigres e leões no colo, acariciar os animais adultos, e sentir como é a pele de um elefante (parece asfalto!), e até dar maçã pra ele. Andamos de camelo, demos comida na boca de vários animais e – acredito – tivemos a experiência mais bela e próxima que alguém pode ter com animais selvagens.
Confesso que em duas ocasiões distintas meu coração disparou e eu pensei que preferia estar de fraldas: uma quando o leão resolver sair da mesa onde estava deitadão e saiu andando em minha direção, esbarrando a juba na minha calça… Fiquei branco, depois verde, depois pálido, e acho que não respirei até ele passar por mim.
A outra situação foi quando o tratador dos ursos me perguntou se queria dar comida na boca do urso (até aí tudo bem… – mas usando minha própria boca! “É nóis” pensei. Mas na hora que o bicho abriu a boca dele e – delicadamente – pegou um doce de batatas da minha boca, foi uma sensação de estar sendo engolido pelo bicho. Uma bocarra e tanto…
Já pegar filhotes no colo – tigre e leãozinho – nos fez voltar à infância. Parecem mesmo bichinhos de pelúcia só que são de verdade, pesados, com patas enormes para a idade em pouco tempo viram feras enormes. Suas cabeças quando adultos (repare nas fotos) é mais que o dobro da nossa. As patas – mesmo de um leão jovem de 9 meses – são quase o dobro de uma mão humana.
É o que se pode dizer com todas as letras:
“Foi animal, bicho!”.
Lá em cima eu disse fortes emoções, certo? Não me referia aos animais. Era uma referência a como chegar e voltar desse zoo (talvez por isso seja pouco conhecido do grande público). Luján fica há uns 70km do centro de Buenos Aires, por uma via rápida expressa. Fomos de taxi, que são relativamente caros e onde se gasta por volta de $300 pesos, algo como “130 reaus” ou quase 5 boas garrafas de vinho. Alguns motoristas (o nosso!) têm uma vaga noção do que é dirigir, mas autisticamente, isto é, trancados dentro de sua própria realidade não reconhecem nem se comunicam com o mundo exterior. O que vale é quem acelera mais ou joga primeiro o carro na frente do alvo. Com sorte você chega, paga, sai meio sem chão e jura que vai voltar de qualquer coisa menos de taxi…
Voltamos de ônibus – “autobus”. São 2 horas com o “nº 75 rápido” (o nº 75 lento leva 4 horas!!!) como descobrimos na volta. Mas se não quiser ir ao zoo e pagar mico como nós (não resisti ao trocadilho), saiba desde já que não se paga o 75 com dinheiro. Tem que comprar um tíquete no ponto inicial ou final e entregar um papel pro motorista ou colocar moedas numa máquina. Como o 75 custa 10 pesos e estávamos em 7 pessoas, não conseguiríamos 70 pesos em “moneditas”…
O final de nosso dia então foi deitar os trocos nas mãos para arrumar 1,5 pesos por pessoa para pegar outro bus e chegar ao ponto final para comprar nosso tíquete de volta n o “75 rápido”.
Antes de voltarmos ao Brasil fomos até um Café para tomar “una cerveza” e comer algo. Mas como não tínhamos quase pesos já que estávamos para ir embora, perguntamos se poderíamos pagar com cartão de crédito. Resposta: “No”. E reais? “Tambien no”. Ficamos na cerva, o que dava pra pagar. O garçon muito simpatico ainda trouxe uma batatas fritas. A conta veio só com a cerveja ($18,00 um litro) e sem os 10% que lá não se cobra na conta embora espere-se que você pague).
Não aceitar dinheiro para pagar ônibus… Não aceitar cartão ou reais no café… Dá o que pensar. Burrice? Intolerância?
Acho que não. Vejo isso apenas como uma cultura diferente onde o jeitinho não tem vez. Valem as regras, conhecê-las e respeitá-las. Eles são assim. O que pode, pode. O que não, não. Tem horas que é chato, tem horas que é bom.
Na dúvida, depois de chegarmos cansados – e felizes – em casa, tomamos um bom espumante pra rir e relembrar das aventuras em B. As. e Luján…
Saúde!

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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7 respostas a De cara com as feras

  1. Sérgio-Veleiro Olodum diz:

    Ricardo e Diana c/ todo o respeito ,acho que voçes não estão bem não! que que isto entrar na jaula das feras e ainda dar de comer pela boca ! acho bom voçes voltarem p/ o Veleiro que estarão bem mais seguros..rsrsrsrrsrsrsrss..bons ventos sempre

    • Tangata Manu diz:

      kkkkk… olha que aquela do urso me deu medo mesmo… a hora que o bicho abre o bocão bem na sua cara… uau ! Lembrei da sogra.. kkkkkk

  2. JOSÉ CARLOS PAROLIM . diz:

    RICARDO E DIANA ,MUITO BONITO ESSE ZOO ,ACHO QUE QUEM IRIA CURTIR MESMO É A HELENA , ACHO QUE ELA NÃO FOI ,ESTOU CERTO ? , ABRAÇOS A TODOS .

    • Tangata Manu diz:

      Oi Parolim… nao foi. Mas não adiantaria ter ido porque pra entrar nas jaulas só maior de 16 anos… acho que os menores eles pensam que é comida, hehehehe

  3. jenifer diz:

    oi jhenifer nossa e muito especial estar perto des animas…

  4. miriam diz:

    ricardo e diana, que momento mais lindo que vcs viveram. Lindo, lindo, lindo. Apesar do medo que sentiram acho que nunca esquecerão né? Legal. bjs pro ceis. miroca

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