Falando em Refeno…

A Refeno abriu as inscrições para sua 24ª edição esta semana. Como eu já falei em um post anterior, a Refeno é como uma bela mulher vaidosa (isso não é pleonasmo?): sempre é mais velha do que se diz…
O fato é que sempre que falam em Refeno me vêm à mente lembranças das conversas com seu criador, Maurício Castro, e com Leonardo Veras (Leo do Tubalhau), quando das minhas pesquisas para o livro “Sobre Homens e Veleiros“. Só pra lembrar – nunca é demais – Maurício Castro ficou conhecido como o criador da Refeno após ir pra lá e na volta organizar um cruzeiro em flotilha que acabou virando competição.

Maurício Castro faleceu em abril de 2009 deixando o legado da maior competição de vela oceânica do Brasil para qualquer um que se disponha a chegar em Noronha por mar. Mais que uma competição, é uma festa para velejadores. A regata é apenas uma desculpa. A viagem pioneira teve a saída do Cabanga em direção à Noronha no dia 22 de setembro de 1984 às 13h45min (esse é o registro da foto acima), e às 13h15min do dia 24, Maurício Castro avistou a ilha na proa do Odysseus. Somente por volta de 19h é que estavam próximos de onde hoje está o porto. Na chegada, entretanto, como não conheciam o local e já havia escurecido, ficaram velejando até amanhecer para decidir onde ancorar. No total, a viagem durou 54 horas e teve alguns atropelos, como o momento em que o Odysseus quase bateu em um navio durante a noite. Tudo registrado no diário de bordo.

Hoje o veleiro da histórica viagem encontra-se em Fernando de Noronha, na Praia do Porto, coberto e esquecido, aguardando que seja recuperado e exposto como parte importante da história da vela de cruzeiro brasileira.
No ano seguinte, 1985, Maurício Castro, resolveu promover com alguns amigos um cruzeiro com destino à ilha. Seis barcos fizeram a travessia, quatro brasileiros e dois sul-africanos, um deles o Kalahari, no qual estava presente o jornalista João Lara Mes-quita. O cruzeiro ganhou o nome de Cruzfafeno ou Cruzeiro em Flotilha ao Arquipélago de Fernando de Noronha. Com o sucesso da Cruzfafeno, um ano depois, em 27 de setembro de 1986, foi realizada a primeira regata, agora com o nome que marcaria sua história, Refeno, tendo sido dada a largada em frente ao Recife Palace Hotel, em Boa Viagem.
Organizada por Maurício Castro, (aqui na foto ao lado do Leo) então diretor de vela do Iate Clube do Recife, a competição contou com a participação de 25 veleiros divididos em três categorias: a RHC, que reunia os veleiros de cruzeiro, a IOR, para veleiros de competição (“ocos por dentro”, como publicou o Diário de Pernambuco na época), e a multicasco.
Participaram da primeira Refeno os seguintes veleiros: Quarta-feira 17 (de Maurício Castro), Tito V (Carlos Alberto Ciarlini), Venestal (Antônio Marques), Viverane (comandado por Carlos Fázio), Sapeca (Paulo Almeida), Pato III, Odysseus (Raimundo Nonato Veras), Capitão Cook, Noturno n. 2 e o Ruim de Mar, todos de Recife. Este último, segundo seu comandante Paulo Toró, “um catamarã comprado especialmente para ganhar a regata”. Do Rio Grande do Norte participaram Rosa dos Ventos e Dianteiro.
De São Paulo vieram Bicho Papão (Fast 40), Blue Chip e Manostto (Main 34). Do Rio de Janeiro os veleiros Mar vilha, Ana C (comandado por Newson Campos, alguna anos mais tarde o criador do Cruzeiro Costa Leste), Lidya Ann, Windancer (do comandante Nicolas Mikay – Velamar 36) e o Shogun Maru (Chance). Do Rio Grande do Sul, Charrua; da Bahia, Paula VII, Esotérico e Odara. O também gaúcho Formidable (de Luiz Felipe Nolasco) acabou fazendo água, tendo que retornar.
A maioria dos que participam hoje dessa festa não têm idéia de quanta água rolou por baixo das quilhas dos pioneiros para que isso tudo pudesse acontecer…

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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6 respostas a Falando em Refeno…

  1. silvio rogerio vialeto diz:

    Gostaria de ter o Manual Prático de Manutenção do motor de popa 3.3

  2. Ricardinho,
    Tive o privilégio de navegar com a lenda Mauricio Castro… Recife/Noronha/Atol das Rocas/Natal eu e a Marta ficamos impressionados com a simplicidade e a simpatia dele, foi uma grande para a família da vela.
    Família Planeta Água

  3. Tangata Manu diz:

    Pois é, nessa hora é que faz falta um livro de biografia…

  4. Comandante Ricardo,

    Gostei muito do seu blog.Sou seu novo seguidor agora.

    Abraços.

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