Navegando em baixo d’água

Você já entrou num submarino? A família Tangata já! E posso te dizer: é bem interessante.
Antigamente eu assistia ao seriado “Viagem ao fundo do mar” e ficava imaginando como seria um submarino de verdade. Agora, depois de adulto rolou uma visita a convite da Marinha do Brasil, em Santos, para conhecermos o Submarino Tamoio, o S-31. E aprendi que ao contrário do submarino da televisão, eles não têm todo aquele espaço nem aqueles equipamentos enormes e cheios de luz. Ah, e também não ficam fazendo bip…bip…bip…
O Tamoio foi construído no estaleiro Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, Ilha das Cobras, tendo sido lançado ao mar em 18 de novembro de 1993. Foi incorporado à Armada em 17 de julho de 1995. Foi o primeiro submarino da Marinha brasileira a ser construído no Brasil. O seu projeto é baseado no projeto alemão do IKL-209 que originou no Brasil a Classe Tupi. Essa classe corresponde aos submarinos de projeto alemão U-209-1400.
Infelizmente, por uma questão de segurança, não se pode fotografar muito lá por dentro, principalmente as salas e áreas estratégicas, ligadas a armamentos e sistema de ataque e defesa. Mas pudemos visitar algumas dessas salas. A que mais impressionou foi a sala de onde são monitorados os alvos e lançados os torpedos, tudo computadorizado. Uma vez “travado” no sistema, que funciona com um operador via câmera/periscópio e computador, o alvo “já era”. Não há como escapar. Por isso a armada que possui submarinos no arsenal, é considerada superior às que não têm. O ponto fraco é a incapacidade de permanecer indefinidamente em baixo da água. Os submarinos propulsionados por um sistema elétrico/diesel obrigam-se a emergir (ou pelo menos colocar um “escapamento” pra fora da água, para fazer o motor funcionar e gerar energia necessária para locomoção, ar respirável e outras necessidades. Isso não acontece com o submarino nuclear. Esse pode ficar indefinidamente sob a água e ganhar uma batalha sozinho.
Interessante, não acha? Tomara que nunca precisemos usar…
Após descermos pela escadinha que sai da escotilha, chega-se a corredores apertados, e pequenas salas. Armários móveis também estão em toda parte, permitindo certa mobilidade. Até o banheiro fica apertado entre um corredor e um armário. Tudo forrado de canos, registros, relógios e aparelhos de controle. A quantidade de coisas impressiona. Parece uma escultura pós-moderna. E cada um dos marinheiros sabe usar tudo aquilo de olhos fechados. São treinados para fazerem o submarino funcionar sem luz, em caso de emergência. Há treinamentos de incêndio, uma cozinha, e camas aqui e acolá. Um verdadeiro labirinto submerso, cuja navegação é baseada apenas em cartas, velocidade e rumo. Imagine a competência e precisão para comandar um navio em baixo da água, praticamente “às cegas”.
Infelizmente não pudemos navegar, apenas fazer uma visita no cais da Marinha. Mas valeu e muito. Mas o Ernesto Paglia conseguiu passear no Tamoio e você agora pode fazer esse passeio aqui! Glub, glub, glub… Boa viagem!


FICHA TÉCNICA DO TAMOIO

Deslocamento: 1.150 ton (padrão), 1.440 ton (carregado em mergulho).
Comprimento total: 61,20 metros
Diâmetro do casco: 6,20 metros
Velocidade: máxima de 11 nós na superfície e 21.5 nós quando imerso.
Profundidade de operação: superior a 200 metros
Propulsão: diesel-elétrica (4 motores diesel MTU 12V493 TY60 de 800 hp ; 4 geradores elétricos AEG de 420 Kw ; 1 motor elétrico)
Eletricidade: 2 geradores de 1.280 kw
Raio de ação: 10.000 milhas náuticas e 50 dias de autonomia. Profundidade máxima de mergulho: 250 m

Sobre Ricardo Amatucci

Trabalhar com amor, afinco e seriedade. Chegar lá será a consequência!
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6 respostas a Navegando em baixo d’água

  1. Show de bola este post Ricardo!!
    Adorei saber um pouco mais sobre estas embarcações que fazem parte de nossos sonhos de infância.
    Quando souber que tenha um para visitação pública nos avise.

    BV,
    Paulo
    Bepaluhê

  2. JOSÉ CARLOS PAROLIM . diz:

    BOA TARDE RICARDO , APESAR DE EU TER SERVIDO A MARINHA DE GUERRA DO BRASIL EU NÃO TIVE A OPORTUNIDADE DE CONHECER OS SUBMARINOS , CONHECI SÓ TRÊS NAVIOS DOIS DELES SÃO FLUVIAIS E ATUAM NO RIO PARAGUAI NO SEXTO DISTRITO NAVAL NA CIDADE DE LADÁRIO EM CORUMBA MATO GROSSO DO SUL E O TERCEIRO O NAVIO DE GUERRA BAURU , TRANSFORMADO AGORA EM MUSEU DEVIDO SER UM NAVIO MUITO ANTIGO . GOSTEI MUITO TER SERVIDO A MARINHA DO BRASIL , ISSO ME FEZ CRESCER COMO SER HUMANO , TENHO SAUDADES DE TUDO QUE PUDE VIVENCIAR LA , ABRAÇOS .

  3. Tangata Manu diz:

    É isso aí, Parolim, também já visitei navios mas não fui da Marinha. Apenas fiquei hospedado na Escola Naval uma semana para estudar para o Curso de Capitão Amador… foi legal…

  4. Yng diz:

    Prezados,
    No Rio de Janeiro tem o Espaço Cultural da Marinha. Lá tem o submarino Riachuelo que foi desativado e está aberto a visitação. Tem também réplica da Nau Capitânia (a do descobrimento), um navio contratorpedeiro antigo, passeio com o rebocador Laurindo Pitta (de 1910), um museu naval e outras coisas mais. Vale a pena conhecer. É bom ligar antes para saber se todas as atrações estão funcionando. Segue o link:
    https://www.mar.mil.br/dphdm/ecm/ecm.htm
    Saudações,
    Yng

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