Mensagem na garrafa

Janeiro de 2009. Acabávamos de passar o ano novo na marina, sob uma chuva – pra variar – intensa. A maioria voltou para suas casas e nós do Tangata saímos passear por Angra. Passando em frente à Lagoa Azul, Helena quis enviar uma mensagem numa garrafa. Escrevemos, fechamos bem e lançamos, tudo devidamente fotografado pela Almiranta Diana. “Não vai chegar nem em Palmas”, pensei do alto da sapiência que todo adulto traz, arraigada em seus calos arrogantes pela vida. O fato é que até esta semana, nunca mais ouvíramos falar dela…
Mas para nossa surpresa, recebemos uma mensagem – na mais moderna das garrafas: a “web-ottle” (ok, foi ruim… bottle = garrafa & web = internet…), onde nosso mais novo amigo José Carlos Parolim a achou no mesmo ano de 2009, em Itanhaém, litoral sul de São Paulo, altura do km 320. Continuar a ler

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Delícias de bordo

Uma das coisas que eu mais gosto no Tangata é quando a Diana faz pão. Aquele cheirinho saindo do forno e logo uma manteiguinha que derrete. Com um café preto, forte e quente… Delícia! A primeira vez que ela fez nós estávamos no Cedro (como agora), e chegou um amigo nosso com o veleiro que ele construíra por anos e que ficara pronto. Logo que ancorou nos convidou para irmos a bordo e claro, fomos. E o pão? Bom, voltamos rapidinho, pensamos. Mas qual. Cerveja vai, papo vem e a esposa dele comentou: “vocês estão sentindo um cheiro de queimado?”. Diana e eu olhamos um para a cara do outro e pulamos para o bote tentando salvar algo que era mais para carvão vegetal do que alimento e fumegava no forno. Até hoje lembramos a estória quando fazemos pão. Inevitável. A receita que achamos mais interessante é uma que pegamos de uma máquina de pão lá de casa, que chamam de “pão italiano”. De pão italiano não tem muita coisa, mas ele fica menos mole que os outros pães porque leva azeite, entre outros segredinhos. Outra coisa que gosto de fazer é mergulhar e arpoar uns peixes pro almoço. Já trago limpo pro barco de maneira a apenas colocá-lo na geladeira ou na frigideira (ou panela), conforme o caso. Mas quando não pego nada apelo pro barquinho de pesca que sempre tem pelas redondezas e aí sai uma moquequinha com o dendê que trouxemos da Bahia, ou um camarão frito com alho e raspas de limão siciliano. Não é ruim, né?!

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Dona Morte, ainda não é minha hora !

A notícia chegou por telefone: “você tem notícias do Inácio, do Kapiao?”. Nós estávamos num recanto secreto perto da ilha do Algodão, onde cabe apenas um veleiro, numa lagoa de águas verdes.
Inácio Doria Pupo, que completa 79 anos em fevereiro próximo, é meu vizinho de vaga na Marina do Engenho, batemos um papo antes de sairmos de férias por volta do dia 28 de dezembro quando eu pedi a ele que me fornecesse umas informações sobre um resultado de Refeno das antigas que ele tinha. Ele prometeu que deixaria com o Luiz Pizão, gerente da marina.
Foi dele – Luiz – que ouvi a história de como tudo aconteceu: “foi no sábado por volta das 18h. Ele estava na praia do Engenho (uma praia próxima da marina) e deixou o gás aberto e o amigo que estava com ele (estavam em 3, Inácio, Rômulo e o filho) alertou. Ele desceu para a cabine com o cigarro aceso, apesar do aviso do Rômulo. Como o Inácio tem problema de audição, não escutou e houve a explosão”.
Com a violência, Rômulo que estava no cockpit foi jogado para fora desacordado, mas logo resgatado pelo filho. Inácio estava dentro e sofreu queimaduras de segundo grau. Todos hospitalizados mas fora de perigo a esta altura.
Luiz Pizão fez o resgate do veleiro, usando uma bomba para retirar a água do interior do casco, que estava com um racho grande. Também fez um remendo de fortuna para que ele parasse de fazer água, recolheu o que estava solto – inclusive o cockpit que se desprendeu do casco com a violência da explosão – e trouxe tudo para a marina.
Nesse momento meu “vizinho” de vaga é um casco de o que um dia foi o Kapiao, um Samoa 27 construído por Inácio há mais de 35 anos em Botucatu, interior de São Paulo. Coberto com uma lona preta, seu cockpit, mastro, genoa e demais apetrechos estão a espera da definição da família ou do próprio Inácio.
Aqui pelo Tangata aproveitamos a ida a Paraty para comprinhas e passamos pela “feirinha”, onde compramos e reformamos toda a parte do gás, inclusive o botijão…
Vai que a Dona Morte não quer perder a viagem… Eu ein?!
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Fotos: Luiz Pizão – Marina do Engenho

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Aventuras e aventureiros…

E lá foi o Tangata e sua tripulação de férias, finalmente. Na verdade ainda estamos pingando pela ilhas e praias entre Angra e Paraty. Os posts desse período vão ficar mais pra frente, basicamente por três motivos: falta de tempo, falta e sinal de internet e vadiagem mesmo. Às vezes temos sinal, mas estamos ocupados experimentando uma caipirinha nova (caiçarinha, astronauta, serena – algumas misturas do tipo maracujá e limão ou outras invencionices locais), mergulhando passeando… Outras – como no lado de fora da Ilha Grande ou outros locais distantes, não existe sinal. E ainda existe a possibilidade de quando há sinal e tempo, simplesmente a preguiça bate fundo no peito.
Não é à toa que na minha camiseta está escrito 100% vagabundo velejador.
Mas para dar um gostinho do que vem por aí no blog deixo uma das fotos que tiramos na praia do Aventureiro, com seu famoso coqueiro torto. Do lado esquerdo podemos ver o Tangata, atrás de um pesqueiro.
Estávamos voltando de Parnaioca, outra praia do lado de fora da Ilha Grande onde pernoitamos (prometo um post só sobre Parnaioca, um paraíso na terra!) e não resistimos parar no Aventureiro. Apesar do mar um pouco mexido e rolões que entravam de NE (Aventureiro é aberto exatamente para esse lado), conseguimos um cantinho bom para fundeio e demos sorte: não havia embarcações além dos pescadores.
Depois conto mais. Agora tenho que limpar uns camarões gigantes que compramos por aqui perto da ilha do Cedro… O trabalho me chama…

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Outro conto de Natal…

Era uma vez um menino que cresceu e virou homem. Em sua trajetória pela terra, passou por muitas e muitas situações onde sorriu, chorou, brincou, amou, foi feliz e triste. O homem casou, descasou, casou de novo, teve filhos, envelheceu, adoeceu e chegou ao final da sua vida.
No leito, cheio de tubos e medicações, quase nada lhe restava a fazer a não ser conviver com suas lembranças. Cada uma delas foi revisitada e repensada. A cada situação ele se perguntava se havia acertado ou errado, se havia arrependimento pelo tempo perdido, pela vida desperdiçada, ou se as boas lembranças iluminavam sua mente naquele momento… As respostas variavam conforme a situação.
Então ele pôs-se a imaginar que isso tudo eram embrulhos e que ele os colocava em uma balança. Cada pacote tinha um tamanho, dependendo do fato. E cada pacote, independente do tamanho, Continuar a ler

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Marina Bracuhy troca de mãos


A Marina Bracuhy, considerada a “casa dos velejadores” na região de Angra, pela simpatia e serviços que presta à comunidade náutica, está mudando de dono.
Localizada dentro da Porto Marina Bracuhy, possui por volta de 500 embarcações sob sua guarda.
Em meados de 2010, parte do complexo que era constituído pelo estaleiro e oficinas já havia sido vendida para o grupo AC Lobato Engenharia (Marina Verolme). Agora foi a vez da arte molhada (vagas e píeres), adquirida pelo grupo JL Construções Civis Ltda. com sede em Cascavel – PR, com mais investidores de São Paulo e do Rio de Janeiro. A empresa JL foi fundada em 1977 pelo engenheiro civil João Luiz Félix, e hoje conta também com a parceria de seus dois irmãos José Luiz Félix e Joacir Luiz Félix. Dona de um portfólio invejável, com edifícios de alto padrão espalhados pelo país, nesses mais de 30 anos a construtora também participou de inúmeras obras públicas como fóruns, aeroportos, prefeituras, hospitais, universidades, hotéis, igrejas, escolas e até de um presídio federal em Catanduvas. A empresa também tem parcerias com a construtora Camargo Corrêa. No Bracuhy, o representante é o Sr. Mauro Almeida, proprietário da imobiliária Angra Náutica. Procurados por e-mail, nem a construtora nem o Sr. Mauro Almeida quiseram se pronunciar sobre a nova aquisição, nem responder se os investidores de São Paulo e Rio de Janeiro têm alguma relação com o grupo AC Lobato.
A Marina Bracuhy era administrada por arrendamento da área desde 1991 a partir do o loteamento de parte de um imóvel denominado “Fazenda Bracui”. Sua história remonta ao século XVIII, quando Antonio Alves Chaves e sua mulher Anna Chaves, que a haviam recebido, por sesmaria, quando de sua saída de Portugal, em 1742, denominando-a, então, Fazenda do Bracuí. Até o ano de 1850, o município de Angra dos Reis, Continuar a ler

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A ignomínia humana

No Aurélio, desonra extrema, opróbrio, infâmia, traição…
Sou pai de uma menina de 11 anos e um rapaz de 25, não necessariamente nessa ordem. Na minha juventude, levantei baleias infláveis no Parque do Ibirapuera e tinha um adesivo em minha “Brasília 74″ que dizia: “Os japoneses caçam baleias. Eu portesto”. Organizei e participei de vários “Dias Nacionais da Montanha Limpa”, onde os montanhistas (escaladores e caminhadores) refaziam as trilhas que usavam durante o ano, recolhendo e trazendo lixo para a civilização onde havia coleta. Hoje na minha casa temos separação de lixo para reciclagem. Por tudo isso, senti-me atingido de tal maneira por essa barbaridade que precisei escrever esse post. Continuar a ler

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Caixão com entrada para pen drive?

Esta semana morreu mais um de nossos amigos, Geraldo (Galdo). Há pouco, outros já nos deixaram, alguns sem maiores avisos, outros vitimados por doenças graves descobertas repentinamente.
O fato é que a cada morte, um séquito de amigos do peito posta mensagens nas redes sociais, blogs e listas de discussão. Mas o que eu sempre me pergunto numa ocasião dessas é: qual dos meus amigos faz tempo que não vejo, mando um email carinhoso, convido pra uma cerveja…?
Quantos desses amigos posso deixar se amanhã for a minha vez de partir desse plano? O que eu tenho feito por isso?
Sempre achei que se acontece alguma coisa ruim e não aprendemos nada do episódio, não só o merecemos como é bom que ele aconteça outra vez para que a lição seja aprendida. Portanto, a cada amigo que se vai, tento buscar um sentido maior em minha vida.
Pequenas rusgas? Desentendimentos bobos – e porque não sérios? De que isso vale? Caixão tem entrada para pen drive? Então não vou mais armazenar isso tudo. Antes de tudo sentimento ruim faz mal a nós mesmos. Ficar remoendo a coisa nos estraga por dentro. E não passar a mão no telefone e ligar pra um amigo com o qual brigamos talvez nos deixe um pouco mais perto do fundo do abismo de nossa soberba superioridade. Pra que?

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Mais sugestões de presentes para velejadores

Em dezembro do ano passado eu fiz um post sugerindo 5 coisinhas para presentear um amigo velejador. Não tinha idéia do quanto ele seria acessado. Fez um sucesso e tanto e até hoje as pessoas clicam lá para vê-lo.
Por isso agora no final do ano vou dar mais algumas sugestões interessantes e não muito caras pra você que quer presentear alguém que veleja. Lembre-se que não estou recomendando nem tenho comissão em nenhuma das sugestões, portanto a avaliação da loja e a entrega ficam por sua conta.

Entre 300 e 200 reais a loja virtual Netshoes tem 2 produtos interessantes.
Um deles é um relógio com sensor climático de pulso. Ele possui bússola, altímetro, barômetro, termômetro além de um inútil altímetro mas se você for homem e faz xixi segurando os estais pode saber a que altura isso acontece (descontando a diferença de altura entre seu pulso e seu… bom vamos em frente). Na data deste post o preço era de R$ 288,00.
Na mesma loja clicando aqui você acha um carregador solar portátil (maletinha de pouco mais de meio quilo). O aparelhinho possui 8 conectores para diversos modelos de celulares, mp3, mp4, iPHONE e iPOD. A voltagem fornecida é de 4,5 a 9 V para equipamentos de pequeno porte e ainda tem um led que funciona como lanterna.

Por R$ 180,00 uma Lanterna “de milhões de velas”, aquela que ilumina até a china é bastante útil a bordo. Pode tirar o velejador de um sufoco como redes de pesca, OBNIS (objetos boiantes não identificados), bóias cegas, entre outras Mas tem que ser de boa qualidade. E aqui, qualidade é a bateria interna e a lâmpada que mandam. Esta aqui apesar de um pouco cara é boa. Você acha até por menos de 50 pilas mas vai durar muito pouco…

 Entre R$ 25,00 e R$ 70,00 existem diversas opções de Bolsas estanques o que também é algo que se usa muito no desembarque para a praia. Máquina fotográfica, filmadora, roupa seca, livro, tudo o que pode molhar você enfia nela e joga no fundo do bote sem maiores preocupações. Aqui achei um montão de sugestões, com tamanhos variados e preços idem.

A assinatura de uma revista do meio náutico como a Perfil Náutico, a Velejar ou Náutica também são uma boa sugestão. As estrangeiras também podem ser assinadas pois  para esse tipo de publicação o imposto não existe (ou é quase nenhum). Basta acessar o site delas e usar um cartão de crédito internacional. A Cruising World ou a Sailing World são duas boas opções na faixa de U$15 a U$30.

Mas se o seu problema for dar presentes para muita gente, posso sugerir as canecas temáticas ou personalizadas da Atracadouro, que podem servir como caneca de bordo, ser deixada no escritório ou ainda em casa mesmo, pra lembrar do veleiro quando estiver longe dele. No escritório serve ainda como porta lápis, coisa que você pode complementar passando numa loja de produtos para escritório. Outra sugestão da Atracadouro são as camisetas personalizadas que podem ser usadas como uniforme da tripulação. Caneca a partir de R$14,00 e camisetas R$20,00.
Como você vê, com um pouco de criatividade dá pra gastar pouco e fazer bonito nesse natal, certo?

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Revista Velejar traz matéria sobre Aratu-Maragojipe

A edição 52 (nas bancas) da revista Velejar e Meio Ambiente traz matéria de 4 páginas sobre a mais recente edição da regata festiva Aratu-Maragojipe, que este ano realizou sua edição número 42.
De autoria deste nem-tão-humilde-quanto-deveria blogueiro, o texto e as fotos contam como foi a regata, a festa e traz também fotos que tive oportunidade de fazer a bordo de uma lancha de apoio, podendo assim passear pelos veleiros e saveiros. Infelizmente o espaço numa revista é limitado e a grande maioria das fotos acabou ficando de fora. Fazer o que, né..?!
Minha viagem foi a convite do então Comodoro do Aratu Iate Clube, Eduardo Moura, hoje fora do cargo, infelizmente. Fica aqui o registro: perde o clube e a vela baiana, um cara do bem que trabalha a sério. Será essa a sina desse tipo de gente no Brasil?

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